
Uma voz brilhante, rouca de tanto cigarro e noitadas, a reavivar os tempos áureos de P.J. Harvey.

Quando não há expectativas face aos outros, aos acontecimentos ou às situações damos lugar ao imprevisto, à surpresa, o que permite viver aquele instante da melhor maneira, aproveitando as alterações momentâneas das circunstâncias e até ficar agradavelmente surpreendido. O facto de aceitar os imprevistos e não planear nem criar, demasiadas ou nenhumas expectativas, torna-nos mais abertos para receber as coisas sem estar preso a esquemas mentais internos. O não estar expectante permite ser livre de parâmetros internos e assim atingir um contentamento constante, sem flutuações de estados de humores que dependem ou não da concretização das nossas expectativas.
E quando não há expectativas! Aceitam-se os imprevistos, porque eles acontecem.
O medo e a ansiedade misturados com uma réstia pequena, muito pequena de alegria. O que será que vem em primeiro lugar? Penso que é a ansiedade. Sempre afirmei e continuo a afirmar, seja bom ou mau, a certeza é sempre melhor que a incerteza. Ainda que a certeza de algo mau. É sempre mais fácil de suportar do que a incerteza, a ansiedade, mas, ao mesmo tempo, a esperança.
Adoro filmes de animação e como alguns da minha geração, sou apaixonada pela Pixar e pela DreamWorks. Há dias vi novamente e pela quinquagésima vez “ O Rapaz Formiga” . O que mais aprecio no filme é o convite ao encantamento, o convite para olhar a vida na perspectiva dos outros, ainda mais se os "outros" forem formigas visionárias e criativas. E esta imagem instiga-me mais ainda, porque denuncia que a minha superioridade humanóide pode ser uma falácia, como ignorante e falacioso era o poder dos homens opressores ao longo da história. Preciso reaprender a olhar.

