Admiro-te, continuas a correr atrás dos teus objectivos, gosto de conversar contigo...mas eu acho que precisas elaborar melhor os teus argumentos.
A conversa continuou a partir disto, mas eu fiquei presa a este comentário: " precisas elaborar melhor os teus argumentos".
Tenho o hábito de me apegar às críticas, é mais do que considerá-las, é tomá-las como ponto de partida. Parece que as críticas tocam-me duma forma especial. Não estou a conseguir argumentar em relação a este sentimento. Às vezes posso pensar, pensar, passar o dia todo a pensar. Posso vomitar metafísica por todos os poros, até enquanto lavo os dentes e mesmo assim não consigo alcançar os meus argumentos. Os meus pensamentos atropelam-se. Em tempos de incertezas a "precisão" cai por terra... acasos ao acaso... Difícil achar o alvo, quando há movimentos desordenados.
Tenho uma ideia, e para defendê-la preciso provar o quanto aquilo faz sentido. Maldito pensamento cartesiano que me acompanha! Temos que entender tudo, não é? Daí essa necessidade de saber aonde tudo começa e aonde tudo acaba. Faz algum sentido?
O facto é que quero aprender a argumentar, mas não consigo organizar os meus pensamentos, não consigo parar de pensar um minuto. Independente da minha vontade.
Agora só me resta ir em direcção a mais uma tentativa. Talvez se fizesse parte do que sou este dom de argumentar, eu poderia conviver melhor com os momentos em que caem sobre a minha pessoa a ira e a reprovação social por deixar o "caminho dos certos". Isto às vezes tem um peso insustentável. Mas o maior problema é que independente das minhas escolhas, me cobram comportamentos extraordinários, como esta tal capacidade de argumentar.
Acontece que por um lado a simplicidade dos ignorantes me atrai. Tenho pena e pavor dos que vivem para deixar heranças literárias, filosóficas, ou tentativas outras, últimas de comunicar sentimentos à eterna surdez do mundo.
31.10.06
7.10.06
16.9.06
uma nova fase

Outro ano sem excepção. Uns seguirão o seu caminho, outros continuarão na mesma. É um novo ciclo que se abre para alguns. Volto a ver algumas caras que me acompanharam todos os dias, desde há alguns anos. Deixo de ter um suporte onde me apoiar quando algo corre mal em determinado momento.
Fico contente por quem vai começar uma nova fase, por quem vai seguir o seu caminho. Eu escolhi o meu, talvez devesse ter arriscado, talvez devesse ter tentado experimentar novas opções, talvez... Mas não me arrependo. Arrependo-me sim de não ter tomado esta decisão logo de início, há três anos. Se calhar tinha sido mais fácil.
Vou ter saudades daqueles que me eram mais próximos. Vou ter saudades das gargalhadas, dos sorrisos e de me sentir e fazer os outros sentirem-se confortados depois de uma desilusão.
A vida segue, e sei que ninguém pode mudar o passado e tudo o que de bom aconteceu.
15.9.06
13.9.06
Absense
A minha ausência pode estender-se indefinidamente, mas neste dia em particular eu regresso. Envolta em nuvens negras de fúria, eu regresso. As pessoas estúpidas serão sumariamente executadas da minha presença. Há demasiadas pessoas estúpidas. Pior, a inveja anda agarrada à estupidez como a merda anda às moscas. A mediocridade auto compensa-se.
2.9.06
Ciúme

O ciúme é uma forma de manipulação e chantagem emocional, pela vitimização, procurando infligir o sentimento de culpa ou revestir-se de despeito por algum ressentimento.
Depende do que considerarmos o que se chama "submissão activa" (consentida ou assumida). Há quem só conceba alguém na sua vida, se esse alguém a dominar.
Mas esta submissão pode também ser uma subtil forma de controlo..uma espécie de "alugar meio campo" em linguagem futebolística, deixar o outro iludir-se na vã glória do domínio..e o caçador torna-se a presa.
Nem uma nem outra parecem formas saudáveis - sentir ciúmes ou provocar ciúmes, de viver uma relação. É uma arma e é desnecessária, pois uma relação não é uma guerra.
É incompreensível. Para quem o sente porque não é admissível, para quem o promove porque é uma manifesta idiotice. É pretender culpar o outro por não ser o que nós queremos que seja, ou projectar em alguém uma falência nossa, que só nós podemos resolver e ultrapassar.
Porque na pratica é insegurança, chantagem emocional, amor obsessivo. É também traição por supor confiança não retribuída, é um bilhete de ida à fava...
25.8.06
é muito mais

Olha.
É muito mais do que posso te explicar. Na verdade é muito mais do que posso compreender e é isso o que complica tudo. Quando não penso, sinto, e explode tudo em febres na pele, no corpo. As emoções são emoções, pura e simplesmente. Não são boas ou ruins, são-o.
E quando não podem entrar na minha cabeça, trilham o seu caminho para fora do meu corpo, explodem, doem. Vivem. E é só isso. Nada de mais, enfim. É só um corpo a mais, a sentir emoção a mais.
24.8.06
Os gatos

Com inteligência e cultura, sem cair no grosseiro ou vulgar, rejeitando o humor boçal mas fazendo também dele a sua fonte de inspiração, os moços passaram de uma sub-corrente humorística a uma loucura nacional.
Agarram em situações palermas e ridículas, encenam-nas e dão-lhes a volta, surpreendem-me com a sua perspicácia. É impossível não vermos retratado o 'povinho' português - mas todo o povinho, eu incluída - e o seu quotidiano nas suas satirizações, não nos rirmos de nós próprios...
Miguel Góis, Tiago Dores, Ricardo Araújo Pereira e Zé Diogo Quintela são nomes que já se demarcaram há muito no humor português.
Começaram todos como criativos nas 'Produções Fictícias', onde escrevem textos de humor por encomenta (Herman José e Maria Rueff são alguns dos clientes habituais). Em conjunto começaram um blog com o nome 'Gato Fedorento', onde postavam textos humorísticos de grande qualidade.
Os textos brilhantes apagam o amadorismo da representação, o ritmo de humoristas sabe dar a volta à escassez técnica. Neste momento estão um pouco apagados.
Eu vejo (sempre!)
21.8.06
O sonho

É tão bom sonhar
Eu, que gosto e admiro tanto o céu perco-me a olhar cada estrela todas as noites. É um momento único e reconfortante que me acompanha há muito. Dou braçadas por entre as estrelas como se fossem ondas do mar. Sozinha, entregue aos meus pensamentos, aos meus sonhos. E tanto que sonho. Nem 10 vidas chegariam para viver todos os meus sonhos. Recebo de cada estrela um sinal, uma mensagem, uma ajuda, um conselho, uma música, uma voz. Levo-as comigo para a cama. Durmo tranquila.
19.8.06
A Felicidade

A felicidade geralmente está nas mínimas coisas. Na respiração, na temperatura do corpo, às vezes na sorriso que parece sísmico, um vulção. E eu fico feliz por ter visto a felicidade nestes olhos, por ter sido um pouco responsável por ela. E fico mais feliz por ter sentido a sinceridade que vem dali de dentro - e sinceridade esta que é parte integrante e insubstituível da minha felicidade. O especial reside aí.
16.8.06
Sensações inéditas

Quero ter sensações inéditas até o fim dos meus dias.
Nada é tão comum quanto resumirmos a vida de outra pessoa e achar que ela não pode querer mais.
Sim, quero mais. Quero não ter nenhuma condescendência com o tédio, não ser forçada a aceitá-lo na minha rotina como um inquilino inevitável. A cada manhã, exijo ao menos a expectativa de uma surpresa, quer ela aconteça ou não. Expectativa, por si só, já é um entusiasmo.
Quero que o facto de ter uma vida prática e sensata não me roube o direito ao desatino. Que eu nunca aceite a ideia de que a maturidade exige um certo conformismo. Que eu não tenha medo nem vergonha de ainda desejar.·Quero uma primeira vez outra vez. Dar um primeiro beijo a alguém que ainda não conheço, um passeio por uma nova cidade, fazer algo que nunca fiz, quero ter sensações inéditas até o fim dos meus dias.
Gostaria de me reconciliar com meus defeitos e fraquezas, compor a minha biografia, deixar que vazem algumas ideias minhas que não são comuns.
Queria compreender e aceitar que não tenho controlo nenhum sobre as emoções dos outros, sobre as suas escolhas, sobre as suas falhas e também sobre os seus sucessos.
E na minha insignificância gostaria de deixar de ser tão misteriosa para mim mesma, compreender que tenho outras possibilidades de existir. O que quero mais? Escutar-me e obedecer ao meu lado mais transgressor.
Pois é, ninguém está satisfeito. Ainda bem.
14.8.06
friends
As amizades são um bem precioso que prezo com muito carinho.
Adoro o reencontro com aqueles que mesmo longe da vista a maior parte do tempo se mantêm fiéis às amizades e às histórias vividas juntas.
Adoro a simplicidade e o à vontade existente nas conversas, mesmo após muito tempo sem falar. É tão bom falar como se não tivesse passado tempo nenhum desde a última vez!
Adoro as/os minhas/meus amigas/os. Os que estão perto e os que estão longe. Os que falam comigo todos os dias e os outros que falam comigo só de vez em quando. Os que me dizem coisas bonitas e coisas que preferia não ouvir. Os que se mantêm em dias de boas disposição e em dias de mau feitio.
E é tão bom reencontrá-los e não lhes perder o rasto...
Adoro o reencontro com aqueles que mesmo longe da vista a maior parte do tempo se mantêm fiéis às amizades e às histórias vividas juntas.
Adoro a simplicidade e o à vontade existente nas conversas, mesmo após muito tempo sem falar. É tão bom falar como se não tivesse passado tempo nenhum desde a última vez!
Adoro as/os minhas/meus amigas/os. Os que estão perto e os que estão longe. Os que falam comigo todos os dias e os outros que falam comigo só de vez em quando. Os que me dizem coisas bonitas e coisas que preferia não ouvir. Os que se mantêm em dias de boas disposição e em dias de mau feitio.
E é tão bom reencontrá-los e não lhes perder o rasto...
13.8.06
Olhares.com
eu acreditava que a fotografia não passava de uma mera representação da realidade, e que, por conta disso, não teria valor criativo ou artístico. Ledo e ingénuo engano: muito mais do que simplesmente espelhar a natureza, os fotógrafos (ou artistas das objectivas) possuem uma capacidade de captar uma determinada imagem numa específica fracção de tempo e fazer com que ela transcenda os limites, preenchendo a escrita da luz com estrelinhas que não se esgotam no mero clique.
Um bom exemplo é o site de fotografia online, Olhares.com. Para além do mero registo visual , fiquei pasmada com a capacidade que uma "simples" fotografia possui de fazer com que mergulhemos numa dimensão perdida. As grandes fotografias possuem uma origem em comum:
A felicidade do obturador ter sido pressionado no momento fugaz em que foste apanhado num sorriso distraído.
Um bom exemplo é o site de fotografia online, Olhares.com. Para além do mero registo visual , fiquei pasmada com a capacidade que uma "simples" fotografia possui de fazer com que mergulhemos numa dimensão perdida. As grandes fotografias possuem uma origem em comum:
A felicidade do obturador ter sido pressionado no momento fugaz em que foste apanhado num sorriso distraído.
11.8.06
Assumir a relação
Hoje enquanto lia o DN não puder deixar passar em branco, o realista artigo de opinião de Fernanda Câncio (sim, sim,...é a namorada do nosso primeiro! ) .
"Aquela coisa que em tempos era, com sobranceria, apelidada de coscuvilhice alcandorou-se a profissão. Há gente que vive de policiar a vida alheia. Há revistas só para isso, jornais que fingem fazer outras coisas mas só fazem isso, tempo de antena para isso.
No programa da manhã da SIC, uma ex-Miss Portugal e uma astróloga ou taróloga ou lá o que é, mais uns rapazes que para além daquilo não se sabe o que fazem, discutem com desembaraço vidas sortidas, explicando o que se pode e não se pode fazer, o que fica e o que não fica bem, e quais as "obrigações" das "figuras públicas". Na TVI, um grupo de senhoras que parecem ter sido escolhidas por não se saber quem são e o que fazem discorrem com igual alegria sobre os mesmos assuntos.
"E os assuntos são, invariavelmente, quem anda e não anda com quem, quem está feliz e quem está infeliz, quem assume a relação e quem não assume a relação. Para este universo, o "assumir da relação" é uma espécie de climax. Para a indústria chamada "do coração", que vive de vigiar as "relações", existentes ou a existir, entre os que apelida de "famosos", as assunções plenas e fotografadas olhos nos olhos e mão na mão junto à lareira/piscina, com declarações mútuas de dedicação para além da morte e de paixão e felicidade sem limites, são uma exigência. Tudo o que não se pareça com isso é clandestino, suspeito, talvez até ilegal.
"As pessoas têm o direito de saber", ouve-se nas rodas de comadres das TV e repete-se em publicações consideradas de "informação geral", em nome, imagine-se, da "democracia". Este "direito de saber" inclui as fotos à traição e à força, "revelações" sobre quem dançou com quem , quem beijou quem, quem fez topless. As regras são simples: é fora de casa, é público; é público, é publicável; quem se mostra uma vez legitima todas as intrusões; quem não se mostra está a esconder algo, logo, legitima todas as intrusões. A indústria tem sempre razão.
Contra isto, nenhum argumento é aceite, nenhuma lei eficaz. Proteste-se ou processe-se e é-se acusado de "falta de transparência", "censura", ou, mais uma vez, "ter algo a esconder". Para esta nova polícia de costumes, preservar é sonegar, recusar "esclarecimentos" é crime. Em poucos anos, aqueles que decorreram desde o triunfo desta inquisição, o que era considerado o cúmulo da vulgaridade - a exposição da intimidade -, passou a norma. Na relação entre o direito à reserva da vida privada, garantido pela Constituição, e o "direito" à intrusão, proclamado pela confederação dos alcoviteiros, ganhou o que vende mais. Perdeu a liberdade, claro. E essa coisa chamada amor. Mas isso, assuma-se, nunca interessou a ninguém. "
"Aquela coisa que em tempos era, com sobranceria, apelidada de coscuvilhice alcandorou-se a profissão. Há gente que vive de policiar a vida alheia. Há revistas só para isso, jornais que fingem fazer outras coisas mas só fazem isso, tempo de antena para isso.
No programa da manhã da SIC, uma ex-Miss Portugal e uma astróloga ou taróloga ou lá o que é, mais uns rapazes que para além daquilo não se sabe o que fazem, discutem com desembaraço vidas sortidas, explicando o que se pode e não se pode fazer, o que fica e o que não fica bem, e quais as "obrigações" das "figuras públicas". Na TVI, um grupo de senhoras que parecem ter sido escolhidas por não se saber quem são e o que fazem discorrem com igual alegria sobre os mesmos assuntos.
"E os assuntos são, invariavelmente, quem anda e não anda com quem, quem está feliz e quem está infeliz, quem assume a relação e quem não assume a relação. Para este universo, o "assumir da relação" é uma espécie de climax. Para a indústria chamada "do coração", que vive de vigiar as "relações", existentes ou a existir, entre os que apelida de "famosos", as assunções plenas e fotografadas olhos nos olhos e mão na mão junto à lareira/piscina, com declarações mútuas de dedicação para além da morte e de paixão e felicidade sem limites, são uma exigência. Tudo o que não se pareça com isso é clandestino, suspeito, talvez até ilegal.
"As pessoas têm o direito de saber", ouve-se nas rodas de comadres das TV e repete-se em publicações consideradas de "informação geral", em nome, imagine-se, da "democracia". Este "direito de saber" inclui as fotos à traição e à força, "revelações" sobre quem dançou com quem , quem beijou quem, quem fez topless. As regras são simples: é fora de casa, é público; é público, é publicável; quem se mostra uma vez legitima todas as intrusões; quem não se mostra está a esconder algo, logo, legitima todas as intrusões. A indústria tem sempre razão.
Contra isto, nenhum argumento é aceite, nenhuma lei eficaz. Proteste-se ou processe-se e é-se acusado de "falta de transparência", "censura", ou, mais uma vez, "ter algo a esconder". Para esta nova polícia de costumes, preservar é sonegar, recusar "esclarecimentos" é crime. Em poucos anos, aqueles que decorreram desde o triunfo desta inquisição, o que era considerado o cúmulo da vulgaridade - a exposição da intimidade -, passou a norma. Na relação entre o direito à reserva da vida privada, garantido pela Constituição, e o "direito" à intrusão, proclamado pela confederação dos alcoviteiros, ganhou o que vende mais. Perdeu a liberdade, claro. E essa coisa chamada amor. Mas isso, assuma-se, nunca interessou a ninguém. "
10.8.06
Feliz aniversário para mim!
É uma idade que eu gosto, soa bem. Faço 20 aninhos e continuo mais céptica que uma velha 80 anos.
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