10.9.04

As minhas apostas!

Sempre me esforcei muito: desde pequena, sentia que o mundo esperava de mim uma estrelinha dourada no peito, testando a boa aluna, a criança prodigiosa, o talento natural: um apurado projecto. Afinal fui uma menina dada a riscos, que precisava corresponder às expectativas de sucesso que me assolavam e àquelas outras, ainda mais cruéis, com que eu mesma me fustigava. Queria, sim, ser o exemplo. Cresci com o estigma da eficácia, a sofrer a cada (inevitável) constatação de falhar a que, como qualquer um, também estou sujeita. E que sem cansaço nem piedade me lembra a condição de condenada como todos, equivocada como poucos na ilusão, assim foi, assim é.

Penso muito para entender as opções, as associações ramificam-se sem fim, até esqueço os objectivos no meio de tantas possibilidades. Esforço-me por compreender as escolhas que classifico prematuramente como falhas, por acreditar na rectidão das minhas intenções ou para sustentar causalidades defensáveis, que os erros mesmos só se confirmam com a experiência, qualquer especulação não leva a mais longe que um conjunto de mais e mais questões. Eu projecto-me, enfim, de respostas que não controlo nem posso prever. Sou uma jogadora cautelosa, avalio as alternativas. Por isso não estou preparada para perder as minhas apostas.

7.9.04

Frase do dia...

''Segundo os orientais a paciência é o inimigo interior que impede que combatamos as adversidades externas. Ás vezes é difícil para nós os ocidentais cultivarmos a paciência''...Frase "animadora" de uma conversa ... Hoje tive uma manhã 'daquelas'... pensei que o mundo ia desabar na minha cabeça... mas felizmente sobrevivi...

2.9.04

Um sinal de imaturidade

Vamos pela vida intercalando épocas de entusiasmo com épocas de desilusão. De vez em quando andamos inchados como as velas e caminhamos velozes pelo mar do mundo; noutras ocasiões - mais frequentes do que as outras - estamos murchos como as folhas que o tempo engelhou. Temos períodos dourados, em que caminhamos sobre nuvens e tudo nos parece maravilhoso, e outros - tão cinzentos! - em que talvez nos apetecesse adormecer e ficar assim durante o tempo necessário para que tudo volte a ser belo. Acontece-nos a todos e constitui, sem dúvida, um sinal de imaturidade. Somos ainda crianças em muitos aspectos. A verdade é que não temos razões para nos deixarmos levar demasiado por entusiasmos, pois já devíamos ter aprendido que não podem ser duradouros.

A vida é o que é, e não pode ser mais do que isso. Desejamos muito uma coisa, pensamos que se a alcançarmos obtemos uma espécie de céu, batemo-nos por ela com todas as forças. Mas quando, finalmente, obtemos o que tanto desejámos, passamos por duas fases desconcertantes. A primeira é um medo terrível de perder o que conquistámos: porque conhecemos o que aconteceu anteriormente a outras pessoas em situações semelhantes à nossa; porque existe a morte, a doença, o roubo...

A segunda fase chega com o tempo e não costuma demorar muito: aquilo que obtivemos perde - lentamente ou de um dia para o outro - o encanto. Gastou-se o dourado, esboroou-se o algodão das nuvens. Aquilo já não nos proporciona um paraíso. E é nesse momento que chega a desilusão, com todo o seu cortejo de possíveis consequências desagradáveis: podem passar-nos pela cabeça coisas como mudarmos de profissão, mudarmos de clube, trocarmos de automóvel ou de casa, divorciarmo-nos... Se nos desiludimos, a culpa não está nas coisas nem está nas outras pessoas. Se nos desiludimos, a culpa é nossa: porque nos deixámos iludir; porque nos deixámos levar por uma ilusão.

Há quem ganhe a vida a fazer ilusionismo - consiste em vestir de roupagem excessiva e falsa a realidade, de modo a distorcê-la ou a fazê-la parecer mais do que aquilo que é. Quando nos desiludimos não estamos a ser justos nem com as pessoas nem com as coisas.Nenhuma pessoa, nenhuma das coisas com que lidamos pode satisfazer plenamente o nosso desejo de bem, de felicidade, de beleza. Em primeiro lugar porque não são perfeitas (só a ilusão pode, temporariamente, fazer-nos ver nelas a perfeição). Depois, porque não são incorruptíveis nem eternas: apodrecem, gastam-se, engordam, partem-se, ganham rugas... terminam. Aquilo que procuramos - faz parte da nossa estrutura, não o podemos evitar - é perfeito e não tem fim. E não nos contentamos com menos de que isso. É por essa razão que nos desiludimos e que de novo nos iludimos: andamos à procura...De resto, se todos ambicionamos um bem perfeito e eterno, ele deve existir. Só pode acontecer que exista. Mas deve ser preciso procurar num lugar mais adequado.

30.8.04

Falta de Imaginação

Provavelmente escreverei algo menos interessante durante estes dias.A minha auto-crítica latente tem me inibido no meu processo criativo. Assim, quando surgem grandes ideias para escrever muitas vezes não tenho um papel para registá-las e as ideias perdem-se naturalmente. Talvez eu devesse andar com um bloco de notas para não perder nenhum grande surto de inspiração quotidiana. Enfim, planos. Então assim tenho lido muito, visto centenas de filmes. Livros, dvd's, cinema - férias culturais. Resolvi ir em frente com os meus planos de aperfeiçoamento pessoal. Afinal, se eu não escrever da melhor forma, digo correctamente, com coerência, sem atropelos (tão comuns na minha ansiedade constante), o melhor mesmo é esperar uns dias... amadurecer mentalmente para escrever melhor. Eis a minha decisão.

Estão prestes a ocorrer uma série de mudanças e não há como negar que todas as mudanças me assustam. Tenho tentado adaptar-me à ideia como posso, mas não nego que sinto uma grande resistência a estas transformações. Estive mal-humorada a semana toda e reflecti sobre centenas de coisas... Porque se estou num mau-humor constante é sinal de que não estou satisfeita com a minha vida. E, nesse sentido há muita coisa que preciso mudar... Para melhor, claro...Bom, nem sei mais o que dizer... estou no meio de um turbilhão de pensamentos confusos na minha cabeça... muitas mudanças a vista...


Entretanto tenho a sensação que o Sapo endoideceu de vez !!!!!! Vou então comemorar este 1º lugar...follow me ..

28.8.04

O Grito meu!

Hoje sentei-me mais perto das pessoas, com vontade de abraçá-las, contive-me um pouco. A minha expressão de dor criava uma barreira fácil, pertinente. Arrastei a cadeira naquele salão onde todos os barulhos eram senão barulhos, arrastei-a deixando algumas marcas no chão. Terapia intensiva, apoio a qualquer dor, dizia-me vem, desabafa comigo, todos os dias, por volta das cinco da tarde, se quiseres eu aguardo, mas vem, a minha intenção é a melhor, eu posso ouvir-te. Foi então que, depois de arrastar lentamente, a cadeira através do salão reverberante e ficar o mais próxima possível dos ouvidos emprestados, ele abriu a boca. Um grito imenso e sem vírgulas:- Mandaram-me tomar conta de ti mas quem é que toma conta de mim?

Bebeu o resto do copo d´água e saiu por todas as portas ao mesmo tempo, deixou em mim uma marca grande e bruta.

27.8.04

"Paxei pa paxar!!!!!!"

Quando não se escreve nada , dá-se elogios àqueles que o fazem ou então protesta-se contra determinada forma de escrever.

"Paxei aki pa pedir pa paxarem a musik dos The Wesel i a dos OZone ...bjikos Pataruxo". Pois é , a MTV Portugal passou hoje em rodapé esta mensagem de uma espectadora "ucraniana" só pode!. Experimentem ler a frase tal e qual como lá está !? E que tal ? Parecem uns parvos com deficiências na fala? Eu não tenho nada contra a forma de escrever de cada um, e viva a liberdade de expressão, mas penso que deve haver um mínimo. Custa muito escrever maS com S (como realmente se escreve!). Ficam mais homens se escreverem com X maX .

Mas não! Escrevem max e paxei para paxar a paxaxa do paxado.

Há quem diga que é para abreviar , mas abreviar o quê???!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!MaS e MaX..onde está a abreviatura??? TenhO e tenhU..digam-me onde está a abreviatura?
Serão estas abreviaturas sinal de modernidade? que decepção linguística a minha! O Paxei pa paxar não me sai da cabeça :/
E o mais engraçado é que já encontrei blogs escritos assim! Num paxei pa paxar a paxaxa k nem vos paxa amiguxs...e são as ninas k xkrevem à modernu...
Já penxaran xtimadus leiturex se eu xkrevexe asin???!!! persebian ?? voltarian?

Eu acho que não. Felizmente a maioria dos blogs, independentemente do conteúdo são escritos num português perceptível a bem da nossa integridade linguística.

Cá está a prova dos nove:
"PEOPLE PRECIZO DE COMENTARIOS .... N KERIA TAR A SER MT XATA ..... MX GXTU TANTU TANTU D LER OS VOSSOS COMMENTS ,..... PLEASE *** (NEST MOMENTU IMAGINEM A MH CARA D SANTA)" in algures nos blogs do Sapo.

25.8.04

Aprender

Tenho uma agenda guardada na gaveta com páginas e páginas vazias desde o dia em que deixei o passado para caminhar no futuro desconhecido. Nela não escrevo sobre actividades simples de antes, urgências de um mundo que ficou para trás e de que já não faço mais partem.Como as páginas vazias da agenda que folheio às vezes por puro hábito, os meus dias têm sido brancos e desiguais. Alterno entre uma imensa esperança que me tira da cama e me faz escalar os muros que se erguem à minha frente e em desânimos que me derrubam e me entristecem. Uma montanha russa de sensações. Uma enorme fragilidade quebrada por uma força que não sei de onde vem. Há dias que uma simples brisa suave me parte em pedaços, há outros que nem uma tempestade me abala. Coragem e incapacidade alternam-se , ferindo tudo aqui dentro. A novidade que sempre me apavorou, tem me feito rever conceitos que acreditava serem verdadeiros...Quebro-me e refaço-me o tempo todo. E a cada vez que volto, faço-me de aço na tentativa de ficar mais forte. Aumentam as dificuldades, aumenta também a vontade de vencer. Penso que seria mais fácil desistir e lembro-me que até para voltar é preciso ter muita coragem.Tenho-me questionado se existe limite para o preço pago pela realização de um sonho e até quanto vale a pena realmente pagá-lo. O sonho em si é tão maravilhoso, que esquecemos que é necessário tornarmo-nos outra pessoa para vivê-lo , é preciso aprender a caminhar de novo, a viver de forma diferente, a aprender de outra maneira.

Agora só vejo paredes à minha frente, mas quem foi que me disse que as portas estão sempre abertas? Claro que eu sempre as quis, enormes, fáceis, disponíveis. Mas nunca foi assim, nunca houve portas fáceis . Muitas vezes tinha sangue nas minhas unhas de criar portas onde não existiam. A minha agenda vazia não me diz o que devo fazer e assim vou andando no vazio à procura do manual que me ensine a caminhar por aqui. 18/05/2001

Hoje não estou muito bem , não sei o que se anda a passar , fiz uma rotura de ligamentos sem ter caído, sem me ter aleijado , sem nada! Ontem de manhã acordei assim, com uma enorme dor no pé , hoje fui ao médico e tenho uma rotura de ligamentos , se eu acreditasse em bruxedos diria que estou sob o efeito de um ou então caí e não me lembro.

23.8.04

Conceitos e Pontos de Vista

Uma imagem vale mais que mil palavras....As minhas palavras por vezes escondem mistérios, reticências e, quase sempre, não reflectem os meus pensamentos por inteiro, na sua essência. Não tenho conceitos formados sobre tudo o que me rodeia e isto é reflexo da falta de conhecimentos que não adquiri (ou que não reflecti melhor) nesta existência. Assim, vivo entre preconceitos e emissão de pontos de vista sobre determinados assuntos, sem o domínio necessário para me posicionar - é o que se chama de "alienação". Cresci com aquele discurso de que certas coisas não se discutem, principalmente quando o assunto envolve "gostos pessoais", "paixões cegas" e muitas polémicas, que por pouco se transformam em desnecessárias "zangas". Mas aprendi a não ficar "em cima do muro" e, mesmo sem um conceito obtido através de experimentações concretas e exactas, consegui modificá-los no decorrer do tempo.


No futebol, por exemplo: fui sempre uma adepta muito soft, assisti a poucos jogos na televisão, sofria muito pouco com a derrota do clube de coração . O futebol hoje é um negócio que envolve muito dinheiro e está infectado pelos aproveitadores e ladrões; empresários de futebol idem; os jogadores, salvo raras excepções, não tem nenhum compromisso com o clube e com os adeptos dele. Achei óptimo o futebol português ter sofrido uma grande humilhação em Atenas, pois somente assim assistiremos a outros desportos que não se evidenciam devido ao grande monopólio que representa o futebol na comunicação social.

Este é o melhor momento para o país mostrar que existem atletas que dedicam a sua vida a um desporto. Em relação à política, presto atenção a tudo o que diz respeito aos factos sociais, económicos e políticos. Corrupção, roubos, extorsão, desonestidade e outros termos, são relativos a partidos políticos e aos seus membros, que visam mais os interesses pessoais do que a busca de um mundo melhor, de um país mais digno. E esta acção política distorcida acaba por envolver toda a sociedade que sofre da falta de verdadeiros conceitos, como o de honestidade, que é muito "variável", conforme a educação, a conveniência ou orientação das pessoas. Os horários políticos, os debates, os comícios que nos enchem as televisões sempre que se aproximam as eleições, representam um novo momento da busca de representantes para as cidades, tão carentes de um planeamento urbano sério, com conceitos verdadeiros para o desenvolvimento sustentável, onde o ser humano deve ser o principal agente.

20.8.04

Exotismo meu

Chamaram-me exótica, mais uma vez na vida. Exótica tem o sabor da qualidade das aves perdidas e multicores, de penas longas e natureza extinta, espantadas, tagarelas. Difícil é lidar com o que definha as minhas condições de normalidade. Exótica é tudo o que não quero por perto nestes dias de calor, num dia de sair sem asas, num dia concreto e aborrecido. Exotismo vem da margem impossível do olhar alheio, da parte que não me toca, do deslocamento de partículas criativas a meu respeito sem nenhum respeito, da tentativa de sistematização do meu carácter. Chamaram-me exótica e a minha univocidade saltitou além dos meus limites, aos berros e safanões, por não estar preparada para ir além deles que aliás, construí com tanto carinho.
Complicado, não?

Olho em volta..

Olho em volta e calo-me. Cresce em mim uma vontade de sorrir ao ver algumas das minhas palavras-loucuras, elas materializarem-se à minha frente. Nunca foi insanidade, eram tempos desconcertantes. Começo a acreditar nas minhas alucinações, uma faísca de segurança brilha nos meus olhos. Não, eu nunca estive louca. Penso ter encontrado um sinal que pode indicar a estrada que procuro. O som é tão forte que chego a tremer.

Há dias que prefiro ficar em silêncio, e já fui questionada sobre a estranheza do meu olhar. Não é tristeza nem raiva, é algo incompreensível. É como se eu parasse e deixasse o mundo girar, sem a menor preocupação de interagir ou medo de ficar à parte, somente deixar tudo passar.Voltei para mim e sou outra. É tão estranho sentir isso. Mudei de mais, e mudei muito mais onde não mostro. Estou a viver numa felicidade bizarra, os meus olhos despertam frente a contrários da razão da qual sou escrava. Sempre achei que nunca conciliaria obrigações e devaneios, algo mudou e sinto a minha alma crescer.

Só receio tornar-me "Deuses e Monstros", tornar-me fortaleza e destruição. Com as minhas palavras reergo muralhas que um dia o meu sorriso ingénuo derrubou. E o tempo transforma a pele em casca . A alegria vem e vai como as ondas, receio que as minhas areias se tornem pedra no balanço do mar.

Embora me doa a mim dizer, não viverei o suficiente para ver as palavras misturadas entre orgasmos e paixão. Os tempos são outros e os desejos estão fragmentados em multidões especializadas no pouco, num foco e no suficiente. Queremos mais que isso. Ainda acredito em pessoas, até o ponto em que se tornam amantes, depois disso, o jogo é de sobrevivência e a verdade deixa de existir.

Com a correria em que está o meu quotidiano, se eu participasse naquela prova esquisita que os atletas fingem que caminham quando na verdade não estão a correr nem parados no lugar -- sabem qual é? -- a medalha de ouro nos Jogos Olímpicos já estaria garantida!

19.8.04

1 mês de blog

Blogar é muito interessante. Começamos devagar, enrolados num novelo de lã, vamos vendo aqui, aprendendo ali, começamos a gostar, juntam-se os leitores, e de repente, dá-se conta de que não se dá mais conta e o que é que se faz ?
Grita-se socoooooorrroooo! Preciso de tempo ! O bom é que todos passamos, eventualmente, pela mesma situação e todos compreendemos, e ainda mais que entender, dizemos o que faz falta...
O que acontece, então, depois de um tempo que varia de crença para crença ???? Começa a dar comichão, um formigeiro na mente e nas mãos, mesmo sem tempo e sem condições para retribuir o carinho de todos. E começa a aumentar, vou ler, não vou, visitar só um, outro. O que se faz ? quem escapa ?Eu não escapei ! Dá para imaginar? Não resisti a passar pelo blog e escrever umas linhas para que saibam que estou viva e ainda muito interessada no assunto.

18.8.04

Caminhar pela praia ao entardecer

Caminhar pela praia ao entardecer. Receber o afecto da espuma nos pés, nos tornozelos. Deixar que o barulho do mar penetre com serenidade, primeiro os ouvidos, depois a alma. Ouvir o que o mar tem para dizer. Fechar os olhos, sentir-se parte da natureza. É possível que se chore. E o sal que escorre pelo rosto encontre o que brinca nas pernas. Então sorris pois as lágrimas são felicidade. De olhos fechados é possível ver o mar. É possível levá-lo connosco para onde ele não está. E as ondas chegam até nos com sons carinhosos, sorrisos e suspiros de espuma. Mergulhar. Entregar-se. Fazer amor. De olhos fechados, num mar feminino.


Hoje encontrei a Teresa , Há coisas pelas quais passamos na infância que nunca esquecemos. Algumas são divertidas e outras apenas faziam parte da nossa rotina, mas são coisas ou situações que ao serem lembradas nos fazem ficar com um certo sorriso no rosto como se estivéssemos a voltar aqueles dias...

17.8.04

Corina Verde

Eu acho que as pessoas levantam muitas bandeiras sem fazer uma reflexão consciente ou uma auto-crítica. Seguindo a regra do bonito e do feio, condenam e defendem coisas aliadas a um puritanismo infundado do qual desconhecem as origens, reproduzindo as regras do bastante admirável. Somos falhados, somos parvos, estamos sempre a aprender com os grandes ou pequenos os erros que também são nossos. É claro que devemos saber listar os nossos valores, conhecer a linha condutora das nossas posições, ter princípios que assegurem o nosso bem-estar. Mas, além de reconhecer os nossos gostos, temos de saber os seus motivos: as nossas atitudes devem estar esclarecidas diante de nós , no nosso próprio olhar, ser parte das coisas em que realmente se acredita. Os porquês das nossas escolhas precisam ser claros quando as tomamos. Não falo de uma racionalidade robotizada sempre muito bem explicada das coisas que vivemos, mas da tranquilidade de ser sincero. Podemos inclusive (e é este o caso) colocar umas coisas bem bonitas como objectivos, metas que pretendemos alcançar para a plenitude do que buscamos fazer connosco, as nossas buscas que nos tornam melhores: existem sempre coisas que desejemos ser e limitações a vencer.

O que não admito são os discursos que não se consagram na prática. Falar é fácil, todos sabemos disso. Proferir belas palavras é fácil e esperar aplausos encantados é uma maravilha. Da boca para fora, é muito simples ser um prodígioso. Dos males do mundo, todo nós compartilhamos sair a dizer o contrário, o quanto se é melhor por isto e aquilo, é, muitas vezes, um burro discurso de hipocrisia. Estes desafios são meus também. Não estou imune à prática do só-dizer. Eu tenho muitos pecados e não gosto deles.
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14.8.04

Saúde Pública e Soberania Nacional

Demorei, mas já caí em mim ; a melhor forma de me enganar com o conjunto de barbaridades e asneiras que a Televisão transmite - as decisões governativas - pensei em trocá-las por músicas ou livros... mas o melhor mesmo é assistir. Se assistimos à notícia, passa rápido e até me possibilita umas boas risadas. Ontem, o Ministério da Defesa Nacional e dos Assuntos do Mar (o Paulinho das Feiras);...proibiu a entrada do "Barco do Aborto" em águas Portuguesas. Eu não sei se fico com raiva ou se entro na onda das piadas contadas. Ah, o quê? Não são piadas? ... e eu achar que era!e a desculpa ? Saúde Publica e Soberania Nacional..logo nós que estamos sob influência americana , logo nós que à primeira chamada estamos lá e logo eles vem falar de Soberania Nacional.
Para... o país. Com... o país. Pelo... país
Para que falar de Saúde Pública? com esta decisão da parte governativa lá irão mais mulheres portuguesas rumo a Badajoz pagar um balúrdio para cumprirem aquilo que decidiram e que só a elas diz respeito.

Reflexos

O teu corpo foi invadido no momento em que cruzou com o meu. Lançavas no ar palavras desconexas, frases incompletas, olhares atordoados. Ele ou quem quer que seja já não importava mais, éramos nós. Os nossos dedos brincavam perdidos pelo corpo, a nossa pele rasgava-se em pedaços, o nosso cheio impregnava o ar. Estávamos entregues. No espelho, os nossos desejos reflectidos. No espelho, somente nós em forma bruta.



Quero liberdade de expressão!!!!
"Todos os blogs são iguais, têm o mesmíssimo princípio. O que muda é a pessoa do lado de cá do teclado. O que acho cada vez mais giro nos blogs (...) é justamente o facto de serem um retrato muito perfeito de quem os escreve. Não há superego capaz de segurar isso... . Simples ."Este texto espelha exactamente o que se passou no dia de hoje no que toca a blogs , principalmente a este meu blog. E como eu não sou a mesma pessoa todos os dias, o blog também muda sempre. Quando estou feliz, escrevo algo animado. Se fico triste, isto mais parece um muro de lamentações. E, quando me sinto muito surpreendida com as pessoas que escrevem comentários e mensagens aqui no meu blog, prefiro não escrever nada, porque só surgem posts chatos, e comentários desagradáveis, que me deixam com uma imensa vontade de terminar o blog - outra vez. ... até que o drama passa (passa sempre) e eu volto como se nada tivesse acontecido. Eu vou ficar quieta.
( ahh e não se esqueçam de dizer que os meus posts são uma treta , que não sei passar para o papel aquilo que sinto, que trato mal as pessoas e para deixar esta "merda" de posts ...)