28.3.09

Plateau


os homens mesmo giros estão na Discoteca Plateau.

Estou ainda completamente encantada.

27.3.09

quase nada


A primavera chegou, com ela as conversas de esplanada a apanhar sol.
Risos, sorrisos, gargalhadas. Experiências de vida.
O meu humor que não anda nada famoso faz agonizar e sentir o quase mais que nunca, atacou-me quando estava muito perto de realizar alguma coisa. A mudança estava prestes a ser positiva, veio uma onda gigantesca e derrubou tudo.

17.3.09

canta mais uma para nós.

Elis Regina fazia anos hoje. Foi com a minha mãe, que também faz anos hoje, que aprendi a gostar dela.

12.3.09

cusquices

Nasci num meio pequeno, que é como quem diz lá para os lados das casas pintadas de branco, dos tardadas a jogar cartas, do 40 graus à sombra nos últimos dias de Julho. Sai de lá em 2004, volto lá sempre que posso. A minha mãe ( que tem aguçado a cusquice com a idade, eu que a tinha tão absorta em relação a temas do foro alheio) manda-me a seguinte mensagem:

-Olha filha tens novidades? (a prepará-la e a preparar-me) A ***** anda ao ataque! Beijos.
-Alto aí e para o baileeeeeeeeeeeeee!!!é o quê? Quem??
-Sim, Sim viram-na a subir para o carro do fulano e encostada a uma esquina. Fico Triste (!!!)
-Eu sabia que ela andava a comer este e aquele, mas chegar ao ponto de cobrar!
-Muito boa é ela. Soa-se que o pai dela anda a levar porrada do filho.
-Eles odeiam-se todos, ela é fraca da cabeça, mas não merecia.
- Outra novidade (bolasss, que valentes ouvidos!) na Internet está uma foto da mulher do *** a fazer um fellatio a um cliente.
-Alto aí e para o baileeeeeeeeeeeeee!!!é o quê? Quem??
-é verdade. Foram os miúdos da escola que descobriram enquanto faziam nenhum. Procura.

Eu em Lisboa e tudo a acontecer na província.

11.3.09

ela

é sempre melhor quando nos encontramos ao vivo e a cores…

A vida tem-me ensinado que nada acontece por acaso. Certos obstáculos aparecem no nosso caminho para darmos mais valor às pequenas coisas que são realmente importantes.
Hoje foi tempo de recordar os velhos tempos. Revê-la foi ouro sobre azul.
Foi um almoço que soube a pato com papel e cabelos à mistura, numa esplanada bem agradável, em excelente companhia.
E depois, há aqueles gestos quase invisíveis, palavras que se perdem em burburinhos, sorrisos que passam despercebidos, uma série de pormenores que julgamos sem importância mas que não o são.

10.3.09

pride

Não me deixa viver em paz. É ele que me tira o sono. Que me lembra, a cada segundo, que preciso ser melhor que todos os outros e que por vezes me engana, fazendo-me pensar que, de facto, sou superior. Não basta ser boa. É preciso ser o máximo.

A razão é inimiga do meu orgulho, cheia de ciências, ela enterra as minhas vaidades e lembra-me, a cada segundo, que continuo a ser sempre inferior. Não basta acusar-me de ser um ser humano comum, a razão faz-me olhar ao espelho e perceber que sou pior. Pior que o meu vizinho, do que um estranho.
Sobra-me idolatria ao espelho, os olhos que vêem. Falta-me equilíbrio, satisfação e contentamento.
Sou arrogante, prepotente e por vezes muito infeliz com isso. Mas sou também deliberadamente egoísta para mudar.
É por culpa dele que às vezes me torno maníaco-depressiva.

7.3.09

oportunidades

Nunca nos zangámos, mas também nunca fomos grandes amigas. Apesar de termos frequentado a mesma turma, não conversámos muitas vezes. Havia uma certa antipatia no ar. Tudo por causa de uma paixão do ciclo e de uma história "complexa" na qual os três estávamos envolvidos. Pelo menos era assim que eu via.

Muda-se de área e de amigos, ela foi também. A minha turma, enorme como era, acabou reduzida a meia dúzia de pessoas. E eu mudei o círculo de convivência. Depois disso só acompanhei a maior parte deles em esporádicos encontros. De repente aparecia sempre alguém, que dizia “Lembras-te dela, dele? Sabes o que aconteceu?".

De vez em quando encontrava-a. Naquela fracção de segundos pensava se a cumprimentaria. Mas como ela raramente me reconhecia, achei melhor esquecer esse assunto. Pensei que não faria sentido, afinal, não éramos amigas. Apenas tínhamos os mesmos amigos, o que é uma grande diferença. Preferi perder a oportunidade.

Agora ela está cá. Vejo-a novamente. Por coincidências causadas por acontecimentos coordenados de segundos. Temos tanto para conversar, pensei por momentos. Depois dessa constatação, um belo sorriso e uma conversa agradabilíssima.

Em poucos minutos falámos das nossas vidas. Em questão de segundos a antipatia cultivada há anos transformou-se em carinho. Quando somos adolescentes, as coisas tomam uma proporção infinitamente maior do que realmente são. Agora percebemos que poderíamos ter resolvido as questões de outra forma. Era tudo tão simples.

Lembrei-me de uma frase do filme Benjamim Button. É preciso aproveitar todas as oportunidades, até mesmo as que por uma vez perdemos.

6.3.09

Parti o meu espelho

A minha testa escorre suor. Tenha a nítida sensação de me terem caído cacos de espelho partido nos olhos. Fiz aquilo de novo! A minha mão nem bate na testa por surpresa. E, no fundo, eu sei que mereço.
Quase estraguei tudo!
Sete anos de azar. Parti o meu próprio espelho. Tentei juntar todos os bocadinhos para me ver inteira e nua. Quebrei os votos de lealdade comigo mesma. Desorganizei-me. Perdi-me.
As unhas cresceram demais. Os meus cabelos ficaram estragados, perderam a sua verdadeira cor. As minhas roupas estão curtas, pequenas e apertadas.
Perdi os meus textos. Desaprendi o português. Deitei todos os livros para o lixo. Não vou ouvir mais música. Não vou dançar mais. Não vou rezar mais.
Não me olho sequer ao espelho.
Vou ter sete anos de azar!
Não vejo

Ás vezes penso que ..
- O último bocadinho de espelho se escondeu na minha pupila.