31.10.04

Novamente..

Eii tanto tempo, já tinha saudades de escrever aqui! Acho que ninguém mais visita este pequeno blog, a não ser por algum acidente de percurso, uma busca mal sucedida ou algo assim.
Ando com a vontade fraca. Falta-me vocação para o fazer. Murcha. A cabeça também não ajuda muito. Serve só para negar. Mas de que serve o não? Por que no fundo tudo se resume a realizar.

E era o que não podia. O outro lado da moeda é a distância. Supunha eu que não existe algo como unir-se. Talvez tocar, de leve, quase como o vento. Um fio de cabelo fino e quebradiço que enlaça as pontas de dois dedos. Gostar é mais que quimera ainda. Sabores misturam-se e depois esvanescem, rápido, rápido. Coisas do corpo, que se atropelam em si mesmas. Um corpo é um copo, cheio de uma substância que reage ao ambiente e pronto. Um caldo biológico. Triste. Mas a vida não. "So keep your high hopes". Respirar ar puro.

4.10.04

"Desilusão disfarçada"

Procurei na caixa e vi que lá no fundo havia um monte de coisas intactas. Que eu não deitei fora, não reciclei, não fiz absolutamente nada. Pequenos pedaços da minha própria história. Retalhos de sonhos que nunca realizei. Estive a arrumar outras caixas neste tempo de mudança, incerteza e deparei-me com objectos antigos. Eu vi o meu sorriso reflectido no espelho. A minha alegria de um dia vir a ser o que sempre quis. E pensei no que diria se algum dia alguém me perguntasse o que fiz da minha vida. Não o que fiz nela, mas o que fiz com ela. E eu vou dizer que deixei que ela me levasse. E abandonei no fundo da caixa os sonhos que um dia achei altos demais para mim. Reeditei-a na minha memória. Não é isso que vou responder à pessoa que me fizer essa pergunta. Eu vou dizer que um dia percebi que estava a mexer pouco na tal caixa. Que estava a mudar superficialmente. E quando resolvi meter a mão no fundo percebi que os meus sonhos permaneciam lá, intactos. Cheios de pó, esquecidos pelo tempo.Então dei-me conta de que quando entrei para a faculdade queria ser professora de Filosofia e não Jornalista. E dei-me conta de que sempre quis ajudar as pessoas - e não estou a fazer absolutamente nada nesse sentido. Olhei para o fundo da caixa e vi-me lá, cheia de ideais e objectivos imensos, que nunca realizei.Que esqueci, amontoados por baixo de muitas coisas que o tempo me iludiu fazendo-me achar que eram mais importantes. Olhei para trás e vi beijos e mãos dadas na praia.Vi caminhos de areia e lugares. Vi rituais e paisagens. Vi viagens e pessoas e templos sagrados. E então perguntei-me, finalmente, o que eu fiz com tudo isto.

1.10.04

Sabe tão bem...

Ir até à praia, ver o pôr-do-sol na areia. Restabelecer o funcionamento do meu menisco. Correr.Talvez emagrecer um pouco .Namorar. Namorar muito: sem pressa, sem horas, sem tempo nem lugar. Beijar e fazer amor. Ouvir música. Dançar. Tomar um banho bem quente sem pressa de acabar. Dormir. Sem hora para acordar. Sair. Sem hora para chegar. Dizer meia dúzia de palavrões contidos. Chorar. Correr. Corar.

Ter tempo para fazer a minha sopa. Ir no cinema. Passar um fim de semana inteiro a ver DVD's . Rever alguns dos meus amigos. Fazer outra festa. Viajar. Conhecer um novo lugar. Ler a colecção de Nicholas Sparks. Ter mais tempo para escrever. Não ter mais dores de cabeça. Abraçar os meus amigos. Respirar fundo mais vezes. Meditar. Aprender a poupar.

Ver menos notícias com violência nos media. Falar por falar. Comprar roupa nova.